Relato de experiencia - sala de aula

Escola: Municipal Luiz Viana Filho – Ensino Fundamenta/Séries iniciais
Município de Irecê, Estado da Bahia
Profª: Vera Lúcia Vasconcelos Pereira
Grupo 09 Turno: matutino. Turma B
Direção Maria de Fátima Coutinho e Alexandro Pereira da Silva
Coordenação: Alessandra Rosa Rodrigues
Projeto: Uma Sala Diferente- A sala das Mil Maravilhas
Disciplina: Filosofia
Duração: 1º, 2º, 3º e 4º bimestres/2008

  • Síntese
Esse trabalho foi pensando após ouvir os relatos das crianças logo nas primeiras semanas de aula, quando desenvolvia as avaliações diagnósticas no intuito de conhecer a realidade delas, tanto de aprendizagem, quanto da comunidade na qual estavam inseridas. Os relatos me comoveram quando diziam que seu maior sonho era ter uma escola diferente, quando perguntei diferente em que, elas não hesitaram em dizer que queriam uma escola bonita e uma sala alegre que tivesse brinquedos, livros, computadores, vídeo game porque os pais eram pobres e não tinham nem o que comer direito, enquanto mais dá brinquedo e livros para elas. Resolvi fazer uma visita ao bairro e conversei com alguns pais. E de fato, a carência é estarrecedora. A situação sócio-econômica é precária, ouvir mães dizerem que na maioria das vezes a comida do filho era a merenda da escola. A escola por sua vez também não oferecia condições dignas para recepcionar essas crianças e jovens. Constatei que ali, além da deterioração em relação ao aspecto físico do prédio, não dispunha de uma biblioteca, salas adequadas, carteiras dignas, material de apoio pedagógico para subsidiar o trabalho do docente e discente. Esses fatos fizeram com que eu pensasse em algo que viesse a sanar em parte a problemática. Surgiu a idéia do Projeto Uma Sala Diferente, intitulado posteriormente pelas crianças “A Sala das mil maravilhas”. O meu objetivo maior com esse trabalho foi oportunizar aos alunos e alunas a serem participantes ativos das ações sociais para que de fato houvesse a transformação do ambiente “sala de aula” num lugar agradável, bonito e aconchegante em que as tomadas de decisões fossem em parceria com a família, escola e comunidade. E está sendo gratificante mais uma vez em quatro anos consecutivos constatar que essa prática - educativa vêm dando certo, mas vale ressaltar que o êxito maior está tendo com essas crianças numa escola diferente com realidade diferente. E que realmente necessitam de alguém que lhes dê a mão e ajude a trilhar os caminhos dos sonhos, da luta e da esperança através de uma educação pública de qualidade. E meu município está caminhando para que isso aconteça, quero acreditar que essa realidade tão dolorosa mude, e que essa escola, única no bairro, venha a ser o cartão postal para essas crianças e jovens. Certeza, tenho eu, que estou semeando um grãozinho num pedaço de terra fértil, mas também me alegro em dizer que projetos já estão em andamento para a melhoria das escolas  públicas dos bairros periféricos.Oxalá não morra a idéia.
                                                                                   


SUMÁRIO

OBJETIVOS______________________________________________________________07
DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA____________________________________________ 08
CONTEXTUALIZAÇÃO____________________________________________________09
JUSTIFICATIVA__________________________________________________________ 11
DESENVOLVIMENTO_____________________________________________________ 11
RESULTADOS OBTIVOS___________________________________________________ 14
AVALIAÇÃO____________________________________________________________ 14
REFERÊNCIAS____________________________________________________________ 16

ANEXOS_________________________________________________________________ 18









 Objetivo geral: criar um ambiente inovador, um lugar aconchegante propício à aprendizagem significativa em que as tomadas de decisões sejam em conjunto com alunos, professora e escola com a participação da família e comunidade no geral.




Objetivos específicos:
·        Levantar questionamentos para o registro coletivo das idéias das crianças.
-Como gostaria que fosse a sua sala de aula?
-Pensando nas nossas próprias possibilidades, o que poderíamos pensar para embelezar a sala?
·        Anotar as idéias para votação posterior;
·        Elaborar o plano de ação;
·        Listar as tomadas de decisões;
·        Nomear os cantinhos criados;
·        Criar estratégias de construção;
·        Listar tomadas de decisões;
·        Organizar as ações por grupos responsáveis por cada cantinho;
·        Desenvolver campanhas para conseguir o material para cada cantinho;
·        Realizar reuniões junto à diretora, coordenadora e professora;
·        Produzir textos funcionais ao andamento do projeto (cartas, bilhetes. convites, propaganda);
·         Revisar os textos em rascunho com o auxilio do dicionário e enriquecimento através de outros textos;
·        Usar a matemática como auxiliadora permanente nas ações, campanhas desenvolvidas e resoluções de problemas;
·        Organizar cadernos de empréstimos, doações e tombamento do material recebido ou comprado (gibis, livros de literatura, DVDs, CDs, maquiagens, jogos e brinquedos);
·        Organizar a limpeza e arrumação dos cantinhos criados e votados (O Baú Encantado Sorri Com Gibi, Brincar e Aprender pra Valer, O Filme e o Mundo Imaginário, O Brilho do Olhar);
·        Criar as regras de uso de cada lugar;
·         Relatar os acontecimentos; (Divulgar o projeto para escola, família e comunidade;
·        Produzir a ficha de empréstimos;
·        Permanecer em constante contato com livros, gibis e outros meios de diversão disponível na sala;
·        Fazer leituras fílmicas em DVDs;
·        Levar os cantinhos para Praça Pública no intuito de incentivar a leitura e outros meios de entretenimento aos moradores;
·        Produzir e divulgar o blog coletivo;
·        Relato da experiência para socialização posterior.




 Descrição da Experiência
O projeto em andamentos surgiu da necessidade de pensar uma maneira junto às crianças de se criar um ambiente agradável e bonito na sala de aula, já que foi constatado por mim que são advindas de um bairro de extrema pobreza, e a escola não oferecia condições dignas em relação ao espaço físico, como: paredes sujas, carteiras quebradas, salas pequenas, pátio descoberto, a quadra esportiva sem estrutura nenhuma para desenvolver as atividades de recreação.
 Várias atividades foram desenvolvidas, como: levantamentos de idéias, (diziam querer uma sala com esteiras pintadas, tapetes com almofadas e livros, mesinha com maquiagem, brinquedos, a sala pintada com letras e desenhos bonitos nas paredes); (anexo) elaboração do plano de ação (anexo); reuniões com a direção da escola, entre eles e eu a (foto em anexo); envio de cartas coletivas ao comércio local, Secretaria de Educação, prefeito, amigos; divulgação do projeto aos pais e comunidade. A partir daí já percebo uma melhora significativa no comportamento, não é mais agressivo como antes, as brigas já começam a diminuir e os pais que quase não vinham à escola, começam a participar doando almofadas, tapetes feitos de retalhos de pano. Os cantinhos foram nomeados e votados por eles, cada canto foi escolhido um líder e dois fiscais para arrumar e monitorar durante o uso. Hoje a sala tem opções diversificadas durante o espaço livre entre uma atividade e outra, uns procuram o cantinho do baú mágico onde ficam os 105 livros, destacando que o baú é usado todos os dias no momento de leitura livre/ou entre uma atividade e outra. Outros procuram o cantinho “Sorri com Gibi” onde fica a cesta com 45 gibis, e assim, os outros espaços de lazer que existem na sala. Os pais, irmãos já pegam livros emprestados para ler, (para isso foi produzida a ficha de empréstimo, a premiação para quem ler mais livros). O projeto já ultrapassa as paredes da escola porque foi criado o dia de levar os cantinhos para praça pública. Nesse dia a comunidade participa lendo, se maquiando, brincando com os jogos e brinquedos. Constato hoje um grupo atento as aulas, mais calmo, não existem mais palavrão, antes era rotineiro. Já tem autonomia de tomar decisões em reunião quando algo não vai bem. No que diz respeito a sala suja, cartas foram enviada ao prefeito da cidade o Sr. Joacy Nunes Dourado que já prometeu não só a reforma da sala, mas a reforma da escola num todo. Já receberam as carteiras novas, ganharam livros e jogos da secretária de Educação, a Srª Soraya Pinto e a profª Maria das Graças e outras pessoas da comunidade atendendo ao pedido das crianças através de cartas coletivas. (anexo) O Tele centro com 10 computadores chegou ao bairro, a escola recebeu doze computadores com internet, só falta a instalações dos mesmos, quer dizer, o projeto ganhou credibilidade e até incentivou em outras ações.
Fomos convidados a fazer parte do projeto “Leitura na Praça” no 3º bimestre desenvolvido pelas professoras Dilma Neres dos Santos e Dulcinéia da Silva Pereira, ambas da 2ª série - grupo oito. O projeto possibilitou a interação com os outros grupos no dia da abertura que foi realizada em praça pública, muitas atividades foram organizadas junto aos alunos, professores e todos os funcionários da escola. (fotos em anexo)
As crianças autoras e partícipes do projeto “A sala das Mil Maravilhas” já demonstram autonomia para se organizarem e levar os cantinhos à Praça sem requerer muito a minha intervenção. Além do projeto com todos os cantinhos, apresentaram um coral com as músicas “Vamos Construir” (Sandy e Junior) e um jogral de um poema que compus intitulado “Criança Constrói” lido e conversado antes num dos momentos de leitura (em anexo). Todas essas idéias foram delas quando sugeri a reunião para discutirmos o que apresentaríamos na praça atendendo ao convite feito. Essas ações eu atribuo as variedades de leituras proporcionadas através de leituras todos os dias nas aberturas das aulas (Contos de fadas, curiosidades, poesias, notícias, etc.)
A maior dificuldade, além das apontadas acima, era a resistência para produzir textos, não gostavam de escrever livremente, por esse motivo a minha insistência em incentivar à leitura, principalmente do que eles mais gostavam - os contos de fadas. E o projeto muito vem contribuindo para incentivar a escrita funcional (listagens, cartas, depoimentos, etc.)

Contextualização
A questão da coerência entre a opção proclamada e a prática é uma das exigências que educadores críticos se fazem a si mesmos. É que sabem muito bem que não é o discurso o que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso.
Paulo Freire

Iniciei o ano letivo de 2008 com uma turma de Grupo 09[1], com 25 alunos. Para obter uma realidade do grupo, já nas primeiras semanas de aula fiz uma avaliação diagnóstica, no intuito de conhecê-los melhor e observar o nível, tanto de escrita e de leitura, quanto a maneira de expressarem suas idéias e pensamentos. Comprovo nas diagnósticas as dificuldades que demonstram em ler e escrever, a maioria a leitura é silabada e a escrita apresentada por alguns se apresentavam no nível silábico - alfabético, ou seja, representavam uma letra para cada silaba. Em matemática não dominavam as técnicas operatórias, sentiam grande dificuldade de criar sua própria estratégia de resolução.
Acreditando que com essa metodologia, seria possível elaborar os projetos, e posteriormente planos de aulas que atendessem as especificidades dos alunos e alunas, e que, os mesmos fossem co-participes, lancei três questionamentos dentro da área de Filosofia:
·        Que escola vocês querem?
·        Que professora você espera?
·        Que aluno eu sou?
A criação do Projeto Uma Sala Diferente                                                                                                                                                               intitulado pelas crianças mais tarde “A Sala das Mil Maravilhas”  desencadeou vários links para a interdisciplinaridade, visto que, a fala das crianças abriu possibilidades para desenvolver atividades em Língua Portuguesa, Matemática e Arte.
O questionamento primeiro gerou mais participação da turminha.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            Senti que ali com certeza estava frutificando idéias que iriam contribuir e muito                                                                                                                                   para ir em frente com um projeto que envolvesse a escola, família e                                     comunidade, no sentido de possibilitar o ingresso de crianças leitoras /pensantes no mundo contemporâneo.  Dentre tantas dificuldades que a escola apresentava e diante das falas dos alunos e alunas de nove anos de idade, brotou a idéia de um projeto que englobasse os objetivos das crianças e o meu também. Como disse Basilo apud Ziraldo:
Ziraldo conta que teve a sorte de ter uma “professora maluquinha” logo na primeira série. Ela tinha 16 anos e não sabia de nada, mas adorava ler. Chegava à escola com a mala cheia de gibis. E lia os seus romances para nós. Quando tocava a sineta, nós entrávamos voando na sala porque queríamos ouvir as histórias e ler os gibis e livros que ela trazia. Alunos correndo para entrar em uma sala de aula, alegre. E, no mesmo fôlego, ele afirma que falta de recursos ou de apoio não é desculpa para não ser um professor ou professora maluquinha.
Dá para fazer porque criar é tirar leite de pedra. Onde é que as civilizações nasceram? Nos lugares de intempérie. A criatividade é resultado das dificuldades. Então, neguinho diz que não fez porque não tinha recursos. E eu retruco: Ué, aí é que você tinha de fazer, pô.  (BASÍLIO & MÔNICA, 2006)
Sabendo que, a escola não tem ainda um acervo de livros que possibilitasse a leitura literária e outros meios que favorecesse o aprender da criança através do lazer dentro da escola, e que, o espaço físico não tinha ainda uma estrutura adequada para atender as necessidades do alunado devido quadro de caoticidade que a escola apresentava, refleti sobre o que li sobre Ziraldo, e fiz valer minha autonomia de professora que está sendo criar estratégias de resoluções para a problemática ora constatada.
Justificativa
Na comunidade na qual esta inserida a escola, os moradores são de baixa renda, e além de não possuírem o hábito da leitura, as famílias não têm condições financeiras para propiciar aos filhos uma vida digna. A situação das famílias é de pobreza total. Pensando em criar na sala de aula um ambiente agradável, que possibilitasse o acesso a livros e outros meios de atividades prazerosas, e acreditando que a cidadania enquanto esforço educativo desenvolve um pensar crítico, criativo e sensível ao contexto escolar, através do desenvolvimento de ações sociais que envolvam a família e comunidade nos processos educativos da escola, sugeri aos alunos e alunas de nove anos de idade, pensar a sala de aula como um ambiente bonito, alegre como eles queriam.
Desenvolvimento
Levantei questionamentos para o registro coletivo das idéias das crianças:
  • Como fazer pra conseguir os livros e gibis, brinquedos e jogos, maquiagens já que não tínhamos condições de comprar?
  • Pensando nas nossas próprias possibilidades, o que poderíamos pensar para embelezar a sala como foi pensado?
À medida que ia falando, eu anotava na lousa, para serem votadas posteriormente, as sugestões;
Elaborei junto com eles o plano de ação: iam listando a tomada de decisões, como os nomes dos cantinhos sugeridos por eles, enquanto isso, a escrita se dava de maneira significativa; (em anexo)
Na montagem dos cantinhos, eles criaram estratégias para construção, como pedir os blocos, esteiras, cestos, tábuas na comunidade, com isso se sentiam cidadãos participantes do processo;
 Essas estratégias e ações foram organizadas pelos grupos responsáveis por cada cantinho, que em reunião era decidido quem seria o líder, ajudantes e fiscais. Nesse ponto, eles iam aprendendo a dividir tarefas e responsabilidades em coletividade;
Desenvolveram campanhas para conseguir o material para cada cantinho, a exemplo; para a compra dos livros e gibis, maquiagens foram arrecadas garrafas plásticas (refrigerante qboa). Nessa etapa entrou a matemática como necessária a resoluções de problemas;
 Todas essas decisões eram levadas pelos líderes, para discutir em reuniões junto à diretora e coordenadora da escola, e entre eles e eu;
 Produziram textos funcionais ao andamento do projeto (cartas, bilhetes, convites) que antes de ser enviados ou divulgados, eram revisados em dupla ou coletiva. Estes textos em rascunhos eram revisados com o auxílio do dicionário e enriquecimento através de outros textos; (anexo)
A matemática foi usada como auxiliadora permanente nas ações desenvolvidas, como construções de tabelas e gráficos para anotações e contagem das garrafas, das doações em livros, gibis, Dvds, brinquedos, e maquiagens.Envolveu as quatro operações, quando nas resoluções de cálculos para saber as quantidades de materiais em cada canto, em nome e quantidade do doador, encontrando o subtotal e total; (anexo)
Foram organizados cadernos para anotações de empréstimos, doações e tombamento do material recebido ou comprado (gibis, livros de literatura, Dvds, maquiagens, jogos e brinquedos;
Com essa metodologia, elas desenvolvem tanto a leitura e escrita significativas, quanto o espírito de organização e respeito mútuo;
Foi criada estratégia de organizar a limpeza e arrumação dos cantinhos criados e votados Gibiteca intitulado- Sorri Com Gibi, onde fica a esteira, almofadas e o cesto com os gibis;
 Dvdteca nomeado-Filme, o mundo imaginário - lugar que foi montado a estante com blocos pintados e tábuas doadas para por os Dvds e Cds;(foto em anexo)
 Maquiagem de nome - O brilho do olhar, o lugar da mesinha ornamentada onde eles colocam a maquiagem doada, espelho, pentes;
 Brinquedos e jogos - batizado com o nome- Brincar e aprender pra valer, nesse fica a caixa, de brinquedos enfeitados por eles; Baú encantado- nome do cantinho onde fica o baú, tapete, os livros, as almofadas, como também regras de uso de cada lugar; (fotos em anexo)
Relatar os acontecimentos foi um ponto fundamental na escrita funcional;
Permanecem em constante contato com livros, gibis e outros meios de diversão disponível na sala;
Outro tipo de leitura está sendo as leituras fílmicas em Dvds. Esse cantinho é de uso nos enriquecimento das aulas, é também emprestado pelo líder aos colegas e pais, como também nos enriquecimentos das aulas e empréstimos a outros professores.
Como o projeto foi pensado em Filosofia e desencadeou mais para produções escritas, expressão oral e leituras, está sendo desenvolvido com maior ênfase em Português interdisciplinado com Filosofia, Matemática e Arte. As ações são pensadas em Filosofia, os passos de produções orais e escrita e de leitura (reuniões, relatos. bilhetes, convites, cartas, auto - avaliação, listagens, anotações, momentos de leituras) (anexos) se dava na matéria de Língua Portuguesa. Organizar e embelezar o espaço entrou em Arte. (fotos e relato em anexo)
Esse projeto no sentido de construção foi desenvolvido em um semestre, mas de uso contínuo, já que as campanhas de arrecadação de livros e outros materiais para enriquecer os cantinhos continuam. A primeira etapa foi levantar as idéias com as crianças, em seguida selecionar o material necessário ao enriquecimento do projeto – Revista Ciências Hoje (as curiosidades), Jornal “O brasileirinho”, pois incentiva as campanhas através de cartas para se conseguir os livros e gibis. Revista Nova Escola (os contos) que despertassem para encorajar na busca de livros e leituras. Leitura capitulada do livro “Uma professora muito maluquinha” de Ziraldo em que pensei nas estratégias da professora pra despertar o gosto pela arrumação e uso dos cantinhos, principalmente o cantinho do Baú Encantado onde estão guardando os livros conseguidos. Foi usada a máquina fotográfica digital para registrar passo a passo a construção. Com essas fotos eu preparo slids com efeitos para eles assistirem posteriormente e doar para a dvdteca, bem como facilitar no relato das aulas.
 Esse trabalho está se expandido, são levados os cantinhos um dia na semana ou bimestre à Praça Pública para uso da população. Percebo com essa atitude que as pessoas gostam de ler e estão começando a irem ler na praça (fotos e depoimentos em anexo).
No Concurso Literário promovido pela Secretaria de Educação, em que todas as Escolas Públicas Municipais participam concorrendo a prêmios conforme cada modalidade de criação e produção de textos, as leituras no Cantinho “Baú Mágico” contribuiu para o incentivo à produção e enriquecimento de texto, no caso do grupo 09 (3ª série) são votados dois textos para publicação no “Jornal O brasileirinho” (em anexo). As duas crianças autoras dos textos aos quais me refiro despertaram mais cedo o gosto pela leitura e chega a levar de dois a três livros semanais para casa. Percebe-se ao ler as duas produções dessas crianças que elas falam da sua realidade enriquecida pelas histórias que lêem nos livros do baú.
A próxima etapa é criar o blog coletivo no Tele centro, para publicação, divulgação e socialização com outras comunidades dentro e fora da escola.
Com o desenvolvimento desse projeto, não só a sala ficou mais bonita no sentido da beleza física, mas, a maioria das crianças se embeleza com o prazer de adquirir conhecimentos no coletivo e compartilhar com colegas, pais, e pessoas da comunidade.
Resultados obtidos
Constato que a mudança vem acontecendo, porque antes eu percebia que as crianças não tinham o hábito de organização individual e em grupo. A destruição do ambiente sala de aula no sentido de fazer ponta de lápis no chão, afinar o lápis no piso e parede da sala, riscar as carteiras, rançar as folhas do caderno pra fazer aviãozinho, deixarem o material fora do lugar, jogar livros e as almofadas uns nos outros, era hábito corriqueiro por um grupo grande de alunos. Hoje a sala é realmente bonita. A maioria já é autônima para colaborar com a organização dos cantinhos. O que mais me encanta com esse trabalho é que a procura do Baú Encantado já é constante, porque no início era o menos usado. Alguns pais e parentes já levam livros para ler em casa num bairro onde a pobreza de bens materiais é muito grande e as pessoas não têm o hábito de ler e nem onde ler, por falta de oportunidades O projeto está oportunizando aos pouco a leitura.
Antes os alunos não demonstravam interesse nenhum de leitura, atualmente está sendo necessário organizar o rodízio, eles já querem ler no pátio nas horas de abertura para os colegas das outras salas, pedem para compartilhar com as turminhas dos Grupos 04 e 05 doando livros, montando o cantinho da maquiagem, levando o baú para o pátio e outras salas de aula com os livros, tapetes, almofadas. (em anexo) Algumas crianças estão divulgando o projeto para os tios, pais e irmãos. O projeto está sendo ampliado devido ao entusiasmo e participação das crianças junto às pessoas da comunidade. A produção de escrita já se dá de maneira prazerosa e significativa, alunos já produzem textos até 50 (cinquenta) linhas, em sua maioria, com coerência textual (em anexo).
Avaliação
Os alunos e alunos sentam em rodinhas para socializar o que aprenderam e o que ainda precisa melhorar no que diz respeito ao comportamento;
A avaliação individual é feita através de relatos e depoimentos a partir de um ou mais questionamentos;
Na fala, a linguagem culta já é visível;
 O comportamento violento no que diz respeito às agressões verbais e corporais estão sendo sanadas;
Já tomam decisões, as aulas são dialogadas, antes não paravam para ouvir;
As produções de textos são mais enriquecidas, já escrevem com coerência. Fazem auto-avaliação das ações em desenvolvimento, e o mais gratificante, listam comigo o que precisa ser melhorado;
O que ainda está me trazendo grande angústia, são os erros de ortografia, mas venho criando estratégias de correção através do incentivo de publicação dos seus textos nos murais da escola, jornais local, meu blog, http://veroca2003.blogspot.com/, http://verocamemorias.blogspot.com/  envios de cartas. Quanto às revisões de textos é feito no coletivo, em dupla - um ajudando ao outro.
 Como revisar texto é demorado e requer tempo, estou tirando duas horas na semana para acompanhar individualmente quatro alunos fazendo as intervenções necessárias às duvidas de escrita e sempre fazendo uso do dicionário.
 Constatei o quanto as crianças são sábias ao falar e opinar, e sabem de fato, o que foi ruim e bom. Aqui vou de encontro com Celso Vasconcelos quando disse numa entrevista cedida a Revista Nova Escola:
No fundo, gostaríamos de chegar ao ponto em que o aluno desenvolvesse a competência de se auto-avaliar e avaliar o trabalho do professor. Isso é importante porque o aluno passa a se localizar no processo de aprendizagem. Essa é a verdadeira construção da autonomia que a educação moderna visa (VASCONCELOS, 2007)
Essas atitudes foram baseadas nos ensinamentos que obtive através da minha formação enquanto educadora, A mim foi proposto o Curso de Licenciatura em Pedagogia, uma parceria com a Faculdade de Educação de Universidade Federal da Bahia e a Prefeitura Municipal de Irecê, (2003-2006) que atendendo a demanda de um grupo de professores da Rede Municipal, foi possível a formação dos professores que muito vêm contribuindo para o meu pensar em relação ao ensino/aprendizagem. Hoje meu pensar e agir não é mais como dantes, não era uma professora que sabia enriquecer a prática de sala de aula com a teoria, não tinha o hábito de ler, não sabia me posicionar diante dos pacotes prontos, muitas vezes encaminhados pra se desdobrar, sem analisar se estava de acordo com a realidade do aluno ou não, como diz Freire:

Por isso é fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é presente dos deuses, nem se acha, nos guias de professores, que iluminados intelectuais escrevem desde o centro do poder, mas, pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador (FREIRE, 2002, p. 43)
Venho no decorrer da minha carreira de docente, procurando adaptar os conhecimentos adquiridos durante esses três anos da minha formação à minha prática educativa. E acima de tudo, saber o que de fato é bom ou não, para o enriquecimento das aulas práticas, mediante as constantes reflexões das minhas ações. Com esse pensar, venho desenvolvendo atividades que envolva a participação constante dos alunos e alunas, como me fez pensar Freire quando diz:
A questão da coerência entre a opção proclamada e a prática é uma das exigências que educadores críticos se fazem a si mesmos. É que sabem muito bem que não é o discurso o que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso.
Paulo Freire
Concordo com Paulo Freire nesse ponto porque constatei que não adianta justificar a não aprendizagem à falta de recursos, e esses quando não vem, temos que ir buscar, seja através de projetos sérios, seja através de reivindicações junto à gestão da escola.
Como professora da Rede Municipal de Ensino fundamental - Séries/Iniciais, procuro sempre desenvolver um trabalho baseado na proposta curricular da rede, cujo fundamento se baseia na aprendizagem escolar que envolve alunos, professores pais e demais educadores num espaço social dinâmico, dialético e cultural, em que as atividades propostas provoquem desafios diante de um problema real a ser resolvido.
Refletindo sobre essa proposta vinha nos quatro anos anteriores trabalhando com esse projeto, visto que, vem dando certo, e que de fato, há envolvimento dos alunos, família e comunidade local, isso porque sou ciente de que os bairros nos quais venho atuando como professora é de baixa renda, e os pais das crianças, na sua maioria não são alfabetizados para ajudar na formação leitora, tanto quanto, na promoção de outros meios que venha a contribuir para o ingresso das mesmas no mundo da fantasia - o brincar em casa, pois desde cedo tem que ajudar os pais nas tarefas domésticas, outros ajudam trabalhando no turno oposto carregando feiras, engraxando sapatos, vendendo jujus, picolés, até sendo pedintes nas ruas da cidade. Acredito ser importante como professora saber analisar esses dados antes de desenvolver um planejamento ou projeto pedagógico dentro e fora da escola.
E nesse bairro que estou sendo professora desse grupo de alunos, posso afirmar categoricamente que o envolvimento das crianças é contagiante, sinto brilharem os seus olhinhos quando estão participando com suas idéias, suas sugestões, suas ações.
Alegria e orgulho eu sinto por ser professora da rede pública de ensino no meu município quando percebo que as metas de educação, mesmo com tantos paradigmas, vem se concretizando. Só nos resta como profissionais de educação sonharmos com dias melhores e, mais do que sonhar, é correr em busca desses sonhos. É o que venho sempre procurando fazer, porque melhor do que sonhar é ver esse sonho transformar em realidade.
Com meu salário de professora, não tenho ainda o alimento farto à mesa, transporte próprio, tenho que andar 6 km por dia, quando não tenho o dinheiro do moto- táxi, mas carrego dentro da minha mochila meus livros favoritos, àqueles que de fato auxiliam no enriquecimento da minha prática em sala de aula.

Vera Lúcia Vasconcelos Pereira



Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 21. ed. Ed.Paz e Terra. São Paulo, 2002.
__________________,A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 48.ed.ed. Cortez. São Paulo, 2006.
VASCONCELOS, Celso. Intencionalidade: palavra-chave da avaliação. In.  Entrevista Celso dos Santos Vasconcellos.
 Acesso; 26/ jun 2007
ZIRALDO, Alves Pinto. Uma professora Muito Maluquinha. 6. ed. ed. Melhoramentos. São Paulo, 1995.









ANEXO  01 – Avaliação diagnóstica


ANEXO 02-  – levantamentos de idéias








ANEXO 04- Plano de ação











ANEXO 05 – Relato – Levantamento de idéias em ediçao...


ANEXO 06 – Carta coletiva ao prefeito da cidade

Anexo 07- Carta coletiva a secretária de Educação


Irecê, 07 de Março de 2008
Senhora Secretária de Educação
Soraya Pinto


   Nós alunos da escola Luiz Viana Filho da 3ª série, grupo 09B, estamos desenvolvendo o Projeto “A Sala das Mil Maravilhas” para fazer da nossa sala um lugar bonito, xique, alegre e sem sujeira, por isso pensamos em criar e montar os cantinhos da maquiagem, dos livros, dos gibis, dos DVDs e dos brinquedos.
  O nosso bairro é necessitado, mas as pessoas são felizes, e nós queremos trazer mais alegria e felicidade para a nossa escola.
Nós sonhamos em ter brinquedos na sala para brincar na hora do recreio e quando terminar as tarefas de aula, mas não temos nem aqui na escola e nem em nossas casas.
 Gostaríamos de saber se pode nos ajudar doando uns brinquedos ou uns livros, uns gibis e umas maquiagens. Podem ser novos ou usados.

Obrigado por compartilhar com a gente.
Um abraço
Alunos e alunas do grupo 09 B
Professora Vera Vasconcelos




ANEXO 08 – Resposta da Secretária de Educação



ANEXO 09 – Participação do projeto –Leitura na praça
                     Fig1- Cantinho - Sorri com Gibi– crianças da comunidade-set/2008
                    Fig.2-O cantinho ­– Baú Encantado – Praça Pública- bairro São Francisco


                   Fig3 -Secretária de Educação – Soraya visitando a exposição dos alunos dos grupos 08 na praça

ANEXO 10 - Relato coordenadora da escola e mãe de aluno

Escola Municipal Luiz Viana Filho
Data: 21/10/2008
Direção: Mª de Fátima Coitinho e Alexandro Cunha
Coordenação: Alessandra Rosa Rodrigues
Professora: Vera Lúcia Vasconcelos
Turma/série: 09 A (3ª série)

SOB DOIS OLHARES
A nossa missão é preparar nossos filhos e alunos para a vida, por meio da vida. Lembrar que, hoje, o mundo globalizado exige uma socialização cada vez mais intensa do ser humano, que deve ser cada vez mais bem equipados intelectualmente para conviver com seu grupo social. ROSSINI (2003)
Inicio este texto relembrando e retratando a epígrafe citada, pois condiz com as propostas do Projeto “A sala das Mil Maravilhas” da professora Vera Lúcia, do grupo 09 B (3ª série). Se nós pais, temos a missão de educar os nossos filhos e alunos para a vida, então entendo que o projeto está colaborando para a construção de valores e regras e conseqüentemente para a convivência em sociedade.
Durante a realização do projeto foi possível perceber, enquanto coordenadora da escola, que durante o desenvolvimento a construção da autonomia foi um dos passos fundamentais para as aprendizagens da turma.
Observei que foi e está sendo muito significativos os momentos de leitura por prazer, em que os alunos demonstram a alegria e a satisfação em estar ali participando. Lembro- me de um trecho de ARROYO (2004) em que diz que “As lembranças dos tempos vividos adquirem sentido nos tempos posteriores nossos e dos outros, quando os comemoramos e celebramos coletivamente” e consigo ser sensível a ponto de prever que muitos desses alunos irão eternizar estes instantes em suas memórias. E não somente dos momentos em que a professora precisa exigir algo deles.
Nos períodos em que a professora leva os cantinhos de leitura para a praça é visível o envolvimento, o cuidado e a dedicação de todos os alunos. As regras de utilização dos recursos são discutidas e reelaboradas pela turma permitindo que eles cresçam num ambiente favorável à aprendizagem. Aqui cabem as palavras de BARBOSA (2006) quando enfatiza que “[...] Entusiasmo e alegria não bastam para garantir a plena aprendizagem dos alunos, contudo, sem desejo, garra e alegria, também não será possível garantir uma aprendizagem satisfatória.
 A professora trabalhou com a campanha de arrecadação de jogos, tapetes, esteiras, almofadas, livros, gibis e brinquedos, a partir da produção, revisão de cartas que foram enviadas para várias pessoas e instituições.
Outro aspecto que vale ressaltar forma as demais atividades de produção de textos como bilhetes, cartaz e contos.
Analisei também a participação de meu filho Gilvan Marcos que sempre me conta o que está fazendo em sua sala de aula. Num desses momentos falou-me sobre a organização dos cantinhos e a escolha dos seus respectivos nomes.
Depois tive a oportunidade de acompanhar a revisão do relato feito por ele como também de outros colegas de classe. Consegui perceber o quanto aqueles cantinhos são significativos para todos eles, pois demonstram importarem-se muito quando alguns materiais rasgam ou quebram e ficam tentando reaproveitá-los.
Ao analisar os gráficos do 2º bimestre, percebi que a turma do grupo 09B  obteve o melhor resultado nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática dentre todas as turma do Ensino Fundamental I.
Então, posso afirmar que está valendo e muito a pena continuar trabalhando com este projeto diferente: “A sala das Mil Maravilhas”, pois “Como é longa uma viagem sem sonhos!” ARROYO (2004).



Alessandra Rosa Rodrigues
Coordenadora Pedagógica

















ANEXO 11 – Poema da profª em homenagem a turma

Vamos construir

Autora – Vera Lúcia Vasconcelos

Sou ainda uma criança

Tenho muito que brincar

Sonhar, pular correr

E muitas coisas aprender

O mundo não é só brinquedo

Tenho muito que buscar

Na escola, onde eu estiver

Assim eu vou pensar.

Sei que ainda sou criança

Tenho muito que viver

Venha você, o meu mundo

Conhecer.

Sei que ainda sou criança

E tenho muita esperança

De você ser meu parceiro

Na família, aonde eu viver

E assim eu vou crescer

Tudo que eu quero

É brincar, correr, sonhar

Com um mundo bem melhor

Onde brigas lá não há.

Tudo que eu sonho

Um dia vou conseguir

Se você me ajudar

Esse mundo entender

Sem pensar em destruir.

Tudo que preciso

É alguém que me oriente

A enxergar, ver, olhar

A conhecer horizontes

Ligar o seu ao meu pensar.

Vamos construir

Pra ligar o seu ao meu saber

E nunca desistir

De lutar, sonhar,




ANEXO12 - Os momentos em reunião na escola


                                     Fig.4- reunião no pátio da escola - alunos do g.09
ANEXO13 – resoluções em matemática






ANEXO14 – Registro em fotos dos cantinhos

                                                      Fig.5- Cantinho-Sorri com gibi
                                                 Fig.6- Cantinho – Baú encantado

                                 Fig. 7-Gilvan e Elivelton - cantinho –Brincar e aprender pra valer

                                               Fig 8- Cantinho – o brilho do Olhar
                                                         Fig.9 – A dvdteca em construção






ANEXO15- Relatos e depoimentos























ANEXO16- registro em fotos dos cantinhos na praça
                                Fig. 9 – leitura na praça- Baú encantado-23-10-2008
                                        Fig.10- leitura na praça baú encantado
                                     Fig.11 – O brincar na praça- 23-102008
                                         Fig.12 –As crianças da rua lendo gibi na praça- 23-10-2008




ANEXO 17- Publicações  em jornais da cidade





[1] A seriação por ciclo na Rede Municipal de Ensino de Irecê têm a duração de dois anos, denominado cada série por grupo, referente a  idade do aluno.

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